2020 foi um ano que mudou nossas vidas drasticamente. Tirou-nos do piloto automático e nos fez enxergar quão imprevisível nossas vidas podem ser.

Dos planos traçados na virada do ano de 2020, nenhum deles incluía permanecermos vivos e saudáveis emocionalmente. Queríamos muitas coisas – mas não a imprevisibilidade de um amanhã.

Tentamos manter uma rotina que era impossível, buscávamos contatos pessoais tão substituídos anteriormente pelos virtuais. Queríamos tudo aquilo que tínhamos de sobra e não vivíamos.

Frustramos todos os nossos planos e agora nos perguntamos: Como retomar? Por onde começo? Como era mesmo antes de tudo isso? Cadê meu piloto automático que não me deixava vivenciar a plenitude do hoje, sempre na expectativa do amanhã?

2021 é um ano para aprender tudo aquilo que sempre nos foi ensinado e que insistíamos em não absorver.

Manter-se saudável emocionalmente durante situações de crise pode ser um desafio. Somos motivados diariamente por situações que nos exigem muito, mas dentro de um limite que nós controlamos. O incontrolável frustra nossa ideia de que podemos decidir tudo.

Sem que tivéssemos programado, este é o momento de aprender a exercitar a atenção plena em nossas vidas. Está tudo bem em nos sentirmos impotentes diante de uma ameaça invisível, mas real. O desafio neste momento é outro. Olhar para o presente como um momento valioso de decisão, reconhecer que chegamos até aqui e que podemos retomar o controle de nossas vidas, mas sem esquecer do olhar que faz a diferença.

Talvez este seja o momento exato para fazermos as pazes com nosso passado e mais do que isso, lembrarmos de como éramos criativos, do quanto sabíamos inovar e inventar quando nos frustrávamos diante da chuva no dia programado para brincarmos lá fora. Talvez seja necessário aprender a fazer novas coisas e não pensarmos tanto em tudo o que queremos para o amanhã, mas saborear como nunca aquele sorvete que está em nossas mãos, aquela capacidade que está aqui, dentro de cada um de nós de reinventar.

É tempo de entendermos em definitivo que somos seres emocionais e regular nossas emoções pode ser uma estratégia válida para retirarmos aquilo que chamamos de felicidade das mãos do outro e assumirmos como nossa responsabilidade. Não precisamos pensar tanto, precisamos viver mais. Dizer o “não” que nos faz bem, filtrar o que ouvimos, cuidar do que falamos. Usar de nossa inteligência para compreender que talvez não possamos controlar tudo e que, na maioria das vezes, é só a forma de olhar mais favoravelmente a uma situação que pode fazer toda a diferença quando analisamos algo. Nossas experiências moldam nosso olhar, mas o olhar é nosso. Pensem nisso!

 

Patrícia C. Rodrigues, psicóloga/neuropsicóloga.