Renato Cardoso, Bispo da Igreja Universal do Reino do Deus e genro de Edir Macedo, publicou no mês de março um vídeo pedindo contribuições dos fiéis para que fosse possível cobrir as despesas da igreja, visto que em decorrência das restrições impostas para contenção e prevenção do novo Coronavírus – Covid-19 desacelerou a frequência com que os religiosos comparecem nos templos.

No vídeo, a pergunta principal: “vocês preferem o auxílio emergencial ou o auxílio providencial?”. O estímulo é para que os valores percebidos a título de auxílio sejam doados, pois o Senhor “multiplicará”, relembrando-se, que do ano passado para cá foi reduzido a parcelas de R$150 e R$375, entendidos como o mínimo à subsistência.

Ainda, o Bispo aparece frente à um cesto no Templo de Salomão, que custou aos cofres da Igreja R$680 milhões e possui 100 mil metros quadrados, e diz estar ali a palavra de Deus, complementando: “eu quero ouvir testemunhos, meu Pai, nesta semana ainda, de pessoas que colocaram no cesto o seu pão e peixe, a sua oferta, o seu desafio de fé, e o Senhor multiplicou”. E não é só, o milagre destinado apenas àqueles que depositarem também acontecerá aos desempregados ou sem renda que fizerem o sacrifício, acrescentando “meu Deus, eu não posso trabalhar, minha renda foi cortada pelo Governador”, em crítica às políticas restritivas sanitárias.

Além de Cardoso e outros pastores da Universal, a Igreja Internacional da Graça de Deus, criada pelo missionário R.R. Soares, que até mesmo chegou a ser internado em decorrência de Covid-19, e a Associação Vitória em Cristo, de Silas Malafaia, pregam contra as regras de distanciamento social, defendem, ainda, tratamentos precoces sem eficácia comprovada e exigem dízimos, além de contestarem publicamente os efeitos das vacinas.

Ocorre que as dificuldades financeiras que vêm sendo usadas como argumento pelas igrejas não condizem, ao que parece, com a realidade. Além de o decreto que instituiu o estado de calamidade pública de saúde no Brasil ter incluído atividades religiosas como essenciais, o Governo, durante votação orçamentária, concedeu perdão de dívidas tributárias de R$1 bilhão, decorrentes de contribuições previdenciárias, PIS e Cofins, segundo divulgado pelo Ministério da Economia do Congresso Nacional.