Em discurso hoje (5) em cerimônia
no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre as
manifestações ocorridas no 1º de maio – Dia do Trabalho – e sobre o que chamou
de “decretos subalternos” – leis estaduais e municipais que restringem a livre
circulação de pessoas durante a pandemia de covid-19.
"Nas ruas, já se começa a
pedir, por parte do governo, que se baixe um decreto. Se eu baixar um decreto,
ele vai ser cumprido. Não será contestado por nenhum tribunal”, afirmou
Bolsonaro.
O texto seria um instrumento para
garantir que o Artigo 5º da Constituição seja respeitado por estados e
municípios, e que seja assegurada a liberdade de ir e vir, trabalhar e realizar
atividades econômicas no contexto da pandemia, explicou o presidente.
“Queremos a liberdade de fluxo.
Queremos a liberdade para poder trabalhar. Queremos o nosso direito de ir e
vir. Ninguém pode contestar isso”, acrescentou.
“O que o povo quer de nós é que
sigamos o norte dado para esse povo, e todo o Artigo 5º. Eles querem trabalhar.
Isso é crime? Querem o direito de ir e vir, ir à praia, ver um amigo. Querem o
direito de ver um pastor, ir à igreja, ver seu padre. Que poder é esse dado a
governadores e prefeitos?”, questionou.
Bolsonaro afirmou ainda que a
comunicação, mesmo que negativa, tem sido amplamente defendida em sua gestão, e
que a ampliação do acesso digital configura uma forma de defender o direito à
informação, constitucionalmente previsto.
Segundo o presidente, a iminência
de um novo decreto para regulamentar o Marco Civil da Internet - aprovado em
2014 - também configura instrumento de liberdade de comunicação, já que define
direitos, responsabilidades e punições para o uso das redes sociais e de meios
de comunicação digitais.
Sobre a comissão parlamentar de
inquérito (CPI) que investiga ações de agentes públicos durante a pandemia,
Bolsonaro disse que o resultado será “excepcional, no final da linha”. O
presidente afirmou que a CPI demonstrará o uso incorreto de verbas bilionárias
distribuídas pelo governo federal a estados e municípios.
O presidente afirmou que foi
questionado por membros da CPI da Pandemia sobre aparições públicas durante os
finais de semana. “Não interessa onde eu estava. Respeito a CPI. Estive no meio
do povo e tenho que dar exemplo. É fácil ficar dentro do Palácio do Planalto,
tem de tudo lá.”
No discurso, Bolsonaro voltou a
citar o tratamento precoce como medida para o combate à pandemia. Segundo o
presidente, a hidroxicloroquina contribuiu para a diminuição do pico de casos
no estado do Amazonas, em especial na capital, Manaus. Segundo estudos, o
medicamento não tem eficácia comprovada contra a covid-19.
Bolsonaro afirmou também que a
revisão de termos contratuais com empresas que fornecem vacinas ao Brasil só
foi possível com a ação do Congresso.
Um dos exemplos citados foi o da
farmacêutica norte-americana Pfizer, que em um primeiro momento apresentou
contrato se eximindo de responsabilidade por eventuais efeitos colaterais da
vacina. “O que mais queremos é nos livrar desse vírus e voltar à normalidade”,
concluiu o presidente.
Bolsonaro comentou a origem do
novo coronavírus. “Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e
radiológica. Será que estamos enfrentando uma nova guerra?”, questionou. “É um
vírus novo. Ninguém sabe se nasceu em laboratório ou se nasceu por um ser
humano ingerir um animal inadequado. Qual país que mais cresceu seu PIB
[Produto Interno Bruto]? Não vou dizer.”
No discurso, o presidente
aproveitou a presença de membros do Legislativo e defendeu o voto impresso auditável
no país. O presidente afirmou que, se promulgado, o canhoto impresso auditável
estará presente nas eleições de 2022.
“Nós queremos e o povo quer o
voto auditável. Qual o problema disso? Aqueles que acreditam que não há fraude,
por que ser contra?”, disse o presidente, que complementou afirmando que não
haverá contestação de constitucionalidade se a medida vier a partir do
Congresso Nacional.
Bolsonaro citou, ainda, o
motorista brasileiro Robson do Nascimento de Oliveira, que foi preso em
fevereiro de 2019 com duas caixas do composto cloridrato de metadona. A
substância portada por Oliveira é legalizada e aprovada pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil, mas é ilegal na Rússia.
Segundo informou Bolsonaro, a
pena prevista para o caso de Robson poderia chegar a 20 anos. No entanto, o
presidente declarou que graças à articulação iniciada pelo então ministro
Ernesto Araújo, o brasileiro recebeu indulto do presidente russo, Vladimir
Putin. Bolsonaro informou que o motorista já embarcou com destino ao Brasil e
que o avião deve pousar às 19h30 no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.