A pandemia conseguiu até adiar o Carnaval 2021, que deve ser
realizado entre maio e julho do ano que vem, conforme anunciado no último dia 24
pela Prefeitura de São Paulo.
O evento deste ano, que foi recorde de público e levou 15
milhões de foliões às ruas em mais de 600 blocos, por motivos óbvios não poderá
acontecer até que a vacina anti-coronavírus seja finalmente liberada para uso.
Mesmo favoráveis à medida por conta da segurança, lojas de
artigos de Carnaval da 25 de Março, onde fantasias, adereços e itens para
decoração de carros alegóricos representam até 45% das vendas anuais, agora se
esforçam para reverter os prejuízos da quarentena. Ou, no mínimo, manter o
caixa nos próximos meses.
O Comercial Quatro Estações, há 30 anos na 25 de Março e
especializada em artigos como contas e miçangas para bijuterias, penas, plumas
e pedrarias para o Carnaval, enfrenta esse problema.
Fornecedora das escolas de samba paulistanas e lojistas de
artigos correlatos em todo o Brasil, a loja não pretende ampliar estoques até
que haja definição da nova data do evento, diz o proprietário Leandro Reis.
O adiamento, segundo ele, foi importante não só por conta da
segurança, mas também devido à quarentena. Além de a loja ter fechado, os
fornecedores também pararam, já que 80% dos produtos são importados.
"Ficaria difícil atender a todos os pedidos, e não
daria tempo de fazer nem os pilotos se o Carnaval fosse no início do ano",
diz. "Também é melhor esperar a vacina: imagina 30 mil pessoas no
Sambódromo sem?"
Fechada, a loja teve uma quebra de faturamento de 90% antes
da reabertura, segundo Reis, e sobreviveu sem demitir, apoiada nas vendas pelo
site e no atendimento à distância pelo Whatsapp - prática que continua.