A cobertura vacina do Brasil, que já vinha em queda ao longo dos últimos anos, despencou em meio à pandemia do novo Coronavírus – Covid-19, o que torna maior o rico de se desencadear novos surtos de doença já conhecidas e previsíveis. O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, divulgou que menos da metade dos municípios do Brasil atingiu a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Imunizações – PNI que abrange nove vacinas diversas., a exemplo da hepatite, poliomielite, tubérculos e até mesmo sarampo. Ainda, há atraso das notificações de municípios.

Com queda de 16%, a cobertura da vacina da hepatite B, indo parar em 62,8%, contra 78,6% de 2019. A vacina da poliomielite caiu em 8,3%, parando em 75,9% em 2020, contrários à 98,3% registrados em 2015. Um resultado notório é relativo ao sarampo, que voltou a circular no ano de 2018 após queda da cobertura vacinal tríplice viral, tendo sido registrados 21 casos em 2020, dos quais 60% se concentram no Estado do Pará.

Segundo a Pesquisadora do Leps e autora desta análise de dados, Letícia Nunes, “a gente corre o risco do ressurgimento de doenças se essa queda não for revertida. Quando as coisas voltarem ao normal e as aulas presenciais retornarem, doenças que já estavam controladas podem vir com muito mais força”. 

De acordo com estudiosos do campo, a queda pode ter se dado em decorrência do distanciamento social imposto para contenção e prevenção da pandemia ainda em 2020, se tendo revelado que o atraso em comento é comum a todas as classes sociais e, também, que o acompanhamento dos filhos por pediatra caiu 44%, percentual que sobre 6 pontos em se tratando de crianças com três a cinco anos de idade.

O infectologista Renato Kfouri, Diretor da Sociedade Brasileira de Imunização – SBim, explica que “todos os serviços de saúde foram deixados de lado. Os cardíacos deixaram de controlar a hipertensão e o colesterol, houve queda brutal de diagnóstico de câncer. E as vacinas seguiram o mesmo caminho”. 

O que se faz necessária, é uma análise mais a fundo da razão pela qual estes números vêm sofrendo queda, uma tendência que apenas ganhou mais força com o novo estilo de vida pandêmica. Dois outros fatores além dos já mencionados são é a baixa qualidade da prestação de determinados serviços de atenção primária à saúde e controle deficiente dos gestores. O Ministério da Saúde afirma que as ações e estratégias necessárias vêm sendo reforçadas, não somente para ampliar a vacinação contra a Covid-19, mas, também, para que se amplie a cobertura vacinal de modo geral no Brasil.