O que mais um jardim precisa para permanecer vivo é sua manutenção – manter a atenção. O jardim é vivo, portando nele acontecem processos de vida a todo tempo. E assim como acontece em nós, todo jardim precisa de cuidados.
Quando digo jardim, me refiro a qualquer planta que possa estar embelezando um ambiente. Pode ser um único vaso numa mesa de escritório, ou todo o conjunto de canteiros com plantas ornamentais da área de lazer numa residência.
O jardim fala com você. Ele te mostra quando precisa de mais ou menos água, reposição de nutrientes, outra dosagem de luminosidade, ou um espaço maior para desenvolver quando se trata de vasos, por exemplo.
Todo cuidado demanda atenção e investimento, mas nem sempre precisa tomar todo seu tempo e seu dinheiro. Hoje em dia há tecnologias que foram desenvolvidas pensando no mínimo despendido para a manutenção dos jardins. O próprio sistema de irrigação que há anos acompanha o crescimento do mercado de plantas não me deixa mentir – só molha o jardim com mangueira quem ainda quer, e tem esse tempo. Não julgo, pois, considero uma forma de terapia onde reservarmos um momento para molhar as plantas, em silêncio e observando a natureza. Outra tecnologia – os fertilizantes de liberação lenta, os quais nos proporcionam meses de ação prolongada no solo repondo os nutrientes essenciais para as plantas. E uma regrinha bem básica para reduzir a manutenção dos jardins: escolha plantas perenes.
As plantas possuem ciclo de vida perene, anual ou bianual. Essa definição nada mais é que o tempo de vida do vegetal. As espécies anuais e bianuais são aquelas de ciclo mais curto que devem ser repostas a cada determinado e curto tempo. As hortaliças geralmente possuem um ciclo de vida anual, ou até menor que isso. Já as plantas perenes são aquelas que botanicamente possuem um ciclo de vida longo, as quais plantamos e elas duram por anos ali, podendo até serem translocadas e não morrem. Essas plantas florescem e frutificam várias vezes durante seu ciclo. A maioria das plantas ornamentais são consideradas perenes.
No jardim podemos ter plantas perenes e anuais. As forrações por exemplo podem ser anuais ou bianuais, resumindo-se nos canteiros de herbáceas rasteiras que produzem flores e precisam ser replantadas a cada 6 ou 12 meses. São elas: Camomila, Amor Perfeito, Prímula, Petúnia, Margarida, Tagetes e Verbena, entre outras.
A irrigação é o ingrediente essencial no pegamento das mudas quando o jardim é implantado e no período de estiagem (secas prolongadas). Algumas espécies ainda necessitam de regas regulares durante todo o ciclo. As plantas frutíferas, no momento da frutificação, tornam o molhamento um componente vital pra continuidade do processo. Jabuticaba sem água não frutifica, por exemplo. No mais, a rega pode ser feita 2 a 3 vezes na semana, de modo geral.
Mais um componente de grande valia pra manutenção da vida do jardim – os nutrientes. Não importa se a forma é orgânica ou quimicamente formulado em laboratório, os fertilizantes devolvem ao solo, e consequentemente as plantas, todos os macro e micronutrientes mínimos e necessários para o desenvolvimento vegetal. As plantas absorvem os nutrientes existentes no solo a todo momento, conforme sua necessidade e disponibilidade, até que chega um momento no qual esses nutrientes se tornam escassos e precisam ser repostos através das adubações regulares de manutenção. Quando as plantas estão em vasos por exemplo, a terra desses recipientes vai sendo “lavada” com as regas e este solo vai se tornando cada vez mais ácido, o

que gera uma indisponibilidade dos nutrientes ali colocados. Dessa forma, não haverá absorção de nutrientes enquanto esse solo estiver com o pH baixo. Para tanto, se faz necessário uma correção na terra do vaso a cada 6 meses ou 1 ano, para que o fertilizante esteja efetivamente disponível para as plantas absorverem. Plantas no solo também precisam dessa renovação de tempos em tempos. Podemos separar uma sessão somente sobre nutrientes, pois esse assunto dá o que falar!
Outra recomendação na manutenção dos jardins são as podas. Essa prática é realizada com diversas finalidades: formação estrutural da planta, levantamento ou abaixamento de copa (no caso das frutíferas, por exemplo), limpeza de pragas e prevenção de doenças, e remoção de partes secas ou mortas. A poda dos ponteiros estimula a brotação lateral, o que promove o aumento de massa verde – folhas – nas plantas. No caso de formação de cerca viva essa poda de formação é muito recomendada. A poda de levantamento de copa se faz quando os galhos estão muito próximos ao solo e isso pode gerar uma transmissão de patógenos do solo aos galhos prejudicando os frutos. A poda de abaixamento deve ser conduzida junto com o desenvolvimento das frutíferas para que a produção de frutos não fique restrita aos galhos mais altos, limitando a colheita. A poda de limpeza renova a planta pois remove partes comprometidas ou até mesmo o excesso de galhos que impedem entrada de luz solar no interior das copas. E a poda para remoção de partes secas ou mortas promove a canalização de energia da planta para as partes vivas e de interesse ornamental. A poda de condução também é bastante utilizada nas plantas trepadeiras que devem apoiar-se em treliças e determinados suportes.
A luz solar é o ponto de partida da vida vegetal, por isso é tão importante que as plantas sejam adequadas para os ambientes nos quais são plantadas. As plantas trabalham com fotoperíodo – ou seja – tempo ideal que devem receber luz solar. Uma planta de sol não deve ficar na sombra e vice-versa. Já vi plantas não produzirem apenas por estarem em locais com 2 horas a menos de sol por dia. A luminosidade pode ajudar ou prejudicar na mesma proporção. Então a escolha do local ideal para cada espécie é muito válida na manutenção do jardim.
Espaço é outro ponto que interfere na manutenção dos canteiros ou vasos. As plantas crescem com o passar do tempo e ocupam o espaço destinado a elas. Quando em vasos, se faz necessário a troca regular dos vasos conforme a planta se desenvolve. O tamanho do vaso é fator limitante para o crescimento do sistema radicular, e consequente parte aérea. Os canteiros também vão sendo tomados pelas brotações das plantas, e neste caso, o estudo paisagístico para a escolha das espécies ajuda muito pois o espaço deve ser compatível com um jardim adulto, caso contrário, as mudas crescem sem espaço pro respectivo desenvolvimento, o que gera problemas no futuro. No projeto paisagístico há a projeção do jardim de acordo com o tamanho disponibilizado para ele, desta forma, por mais que as plantas cresçam e tomem suas formas, o jardim continuará harmônico e sadio.
Além disso, o amor com o qual depositamos energia em nossas plantas com certeza influencia na longevidade do jardim!