No começo da pandemia do
SARS-CoV-2, muito se discutiu sobre as possíveis origens do vírus. Em maio de
2020, a Assembleia Mundial da Saúde, na resolução WHA73.1, solicitou ao
diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom
Ghebreyesus, que continuasse a trabalhar em colaboração com outros órgãos para
identificar a origem do novo coronavírus.
A principal pergunta a ser
respondida era como ele foi introduzido na população humana, incluindo o
possível papel de hospedeiros intermediários. Também participaram do estudo a
Rede Global de Alerta e Resposta a Surtos e a Organização Mundial para Saúde
Animal.
De acordo com a OMS, o objetivo
da descoberta era prevenir a reinfecção com o vírus e o estabelecimento de
novos reservatórios zoonóticos (seres onde vive e se multiplica um agente
infeccioso, reproduzindo-se de maneira que possa ser transmitido a um
hospedeiro suscetível), reduzindo os riscos de surgimento e transmissão de
outras zoonoses.
A epidemia começou na cidade de
Wuhan, na China, em dezembro de 2019, mas rapidamente se espalhou para o mundo.
As principais teorias levantadas incluíam o contato entre um ser humano e um
animal infectado e um acidente em um laboratório na China.
No final de março, a OMS divulgou
um relatório de 120 páginas, desenvolvido por cientistas da China e de outras
partes do mundo, que reforçou a origem natural da epidemia. A tese mais aceita
diz que o vírus passou do morcego para um mamífero intermediário, e dele para o
ser humano. A transmissão de um morcego diretamente para um humano também foi
apontada como uma hipótese possível e provável.
O relatório ainda afirmou que a
passagem do vírus para humanos por meio de produtos alimentícios é possível,
porém uma hipótese remota. Já a possibilidade de o vírus ter escapado
acidentalmente do Instituto de Virologia de Wuhan foi classificada como
“extremamente improvável”. De acordo com o diretor-geral da OMS, no entanto, o
relatório era um começo no caminho de determinar com precisão a origem do
vírus, e não um fim.
Dependendo do que for descoberto
em novos estudos que já estão em andamento, talvez seja possível prevenir o
aparecimento de novas pandemias.