Vejo minhas flores renascendo


 Minha felicidade reinando em meu coração

 Quase como uma praga verde

 Uma euforia insuportável de tão ofuscante

 

 Eu me reconstruí, fiquei inteiro

 O Abalo me mostrou as falhas de minha estrutura

 No lugar de paredes de gesso coloquei pedras

 Gigantescas pedras úmidas com musgo verde

 

 No lugar das lamparinas arde uma fogueira viva

 Com chamas e brasas dançantes

 Lenhas ficam a cantarolar a cada estalo

 

 Espelhos de agua purificam a visão do meu desejo

 Sinto no ar cada perfume, cada essência

 Todos os aromas me enriquecem

 Me levam onde eu quero

 

 As folhas me beijam e os bichos são meus amigos

 Essa beleza não é fruto da destruição

 Essa beleza faz parte do que foi forte o bastante para resistir

 As trepadeiras e a grama se apossaram de meus entulhos

 E eu, como poeta que hoje me fiz, me entreguei por completo.