Acredito que podemos começar de forma simples, com uma pergunta retórica que pode ou não ecoar na sua cabeça agora ou daqui algumas horas, alguns dias, enquanto você dirige, toma banho, ou assiste uma série na TV, afinal, VOCÊ ESTÁ SEGUINDO A MULTIDÃO? Digo, você está “vivendo ou apenas existindo?”, pensando, de forma crítica (ou não) ou apenas seguindo os passos das pessoas que te cercam, desenfreadamente sem questionar absolutamente nada, sem olhar para trás?
Pois é, se a resposta for SIM, CUIDADO, você pode estar preso a teia de um fenômeno presente na evolução e adaptação homo sapiens, dito como uma característica evolutiva adaptativa dos seres humanos, que não obstante é um comportamento psicológico, chamado Efeito Manada.
Mas no fim das contas, o que diachos é esse tal Efeito Manada? A explicação simples se dá através de pessoas seguindo pessoas, sem nenhum senso crítico, sem qualquer objeção, sobre algo que na grande maioria das vezes os seguidores sequer têm noção real do que está havendo, do motivo por trás dos fatos, pela simples motivação de “estão fazendo ou falando, logo vou fazer ou falar também”, mas o termo simples vulgar para isso você conhece da infância, com o título de “maria-vai-com-as-outras”.
Considere um experimento em que várias pessoas estão em uma sala de espera, onde todos são atores, exceto uma pessoa. Ao tocar um som específico, todos se levantam, e essa pessoa cujo não está sabendo o que está acontecendo, começa a observar e se incomodar até que se rende e começa a realizar a ação de levantar ao som emitido. Os atores naturalmente vão saindo da sala e ela vai ficando sozinha, em continuidade ao movimento, cada vez menos incomodada com a situação. Considerando que o desconforto não existe mais, assim que ela fica sozinha, ela repete o movimento de se levantar, mesmo sem ter ninguém a observando e logo após, outras pessoas sem aviso prévio sobre a dinâmica social começam a chegar, e ela por continuar, acaba levando todos a fazerem também, transformando um comportamento aleatório em uma norma social.
No período paleolítico, vulgo era das cavernas, espelhar comportamentos se tornou uma forma segura de viver, onde em razão da perpetuação da espécie, por sobrevivência o homem das cavernas se viu obrigado a observar a maneira em que outros viviam para diminuir os riscos da morte eminente, seja ao comer uma determinada fruta que um grupo comia e não passava mal ou até em situações mais complexas como a estrutura de caça, onde se um grupo saía para caçar em bando, não seria viável sair sozinho para enfrentar um mamute.
Quando aduzimos e implementamos a antropologia ao assunto, conseguimos visualizar de forma panorâmica duas linhas muito claras sobre esse tema, a primeira é justamente a questão da sobrevivência que o homem antigo se viu obrigado a analisar outros grupos e aprender com eles, já a segunda linha que podemos atribuir ao nosso presente século XXI é justamente o oposto, onde não há necessidade de sobrevivência, não é selva nem mata, mas uma falta de senso comum coletiva tão grande que beira o absurdo, tornando as pessoas cada vez mais alienadas sobre quaisquer assuntos e seguindo cegamente qualquer grupo ou pessoa que se ofereça a pensar pelos outros, o que em outras palavras se resume em não sair da zona de conforto, em pensar e estabelecer critérios, defender ideais ou até mesmo se auto questionar e questionar o outro.
E por falar em senso comum e atualidade, é interessante nessa oportunidade destacar um item que ganhou notoriedade de algum tempo para cá. Esse famoso, atende pelo nome de “Fake News” e está presente de maneira diária em nossas vidas, nos afetando diretamente, sem até que percebamos na maior parte do tempo.
Potencializado pela internet, esse estilo de vida que a “Fake News” proporciona, corrobora cada vez mais com a idealização da negligência ao conhecimento, e sem pensar em consequências, os resultados podem ser irrisórios ou até mesmo catastróficos, nesse modelo, indo dos ensinamentos dos nossos avós onde tomar leite com manga faz mal não passar de um mito inofensivo, temos o outro ponto onde nas correntes de WhatsApp e em discursos presidenciais nos foi apresentada a outra famosa do momento “Cloroquina”, para acometer a situação pandêmica global atual do COVID-19, que não tem absolutamente NADA de inofensivo, e o uso desse medicamento em nada ajuda, muito pelo contrário, mas isso já está mais do que comprovado cientificamente, e essa é uma pauta pra outro momento.
A questão que fica é, podemos ser críticos e errar? SIM, devemos inclusive. O medo não deve ser pelo erro, mas sim pela alienação, pela falta de engajamento em determinado posicionamento onde eu abdico o meu lugar de fala para seguir um indivíduo ou um grupo sem nenhum parâmetro ou critério, pelo sentimento de aceitação em determinado debate com viés político ou não. Essa exclusão ou repreensão que o Efeito Manada pode proporcionar é justamente o que deve ser analisado com cautela e combatido, uma vez que devemos sempre, e detalhe para o sempre e não sempre que possível, verificar fontes de notícias, questionar falas, ou resumindo, pensar.
Existe um slogan que diz, “Pense, é grátis”, é sobre isso! Não devemos e não podemos aceitar ideias impostas por outras pessoas, pois pensar é um poder-dever de cada indivíduo, seja ele quem for, independente de etnia, classe social ou até mesmo orientação sexual.
Como disse um grande escritor americano Eric Hoffen, “Quando as pessoas são livres para fazer o que quiserem, elas geralmente se imitam”. Vale ser incisivo e dizer novamente, “Pense, é grátis”, pois apesar da frase de Hoffen, “não é de bom tom” aceitar imitações pela ignorância ou desinteresse, é necessário o simples pensar.