O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec revelou que uma fatia considerável dos alimentos ultraprocessados comercializados no Brasil, como salgadinhos e cereais, contêm herbicida glifosato, um agrotóxico usado em lavouras para eliminar ervas daninhas. Outro herbicida identificado na pesquisa é o glufosinato, além de pirimifós, carbendazim e butóxico de piperonila, cujos limites de segurança não foram estabelecidos.

Sabe-se que o uso de agrotóxicos é corriqueiro em grandes culturas de soja, milho, dentre outras, no entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa regular os limites máximos admitidos, para o que se dá o nome de Limite Residual Máximo – LRM. Ocorre que as normativas em vigência não contemplam os alimentos processados. Dentre 27 amostras analisadas, 16 apresentaram, no mínimo, o resíduo de um componente, não tendo se encontrado nada em refrigerantes e néctares.

A Pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP – Nupens, Josefa Garzillo, explica que os agrotóxicos “entram na cadeia alimentar e, quando ingeridos, mesmo em quantidades diminutas, vão se acumulando nos organismos das pessoas e dos animais, especialmente nos tecidos ricos em gordura. Eles atravessam a placenta e chegam no feto, vão junto com a gordura do leite materno que alimenta os bebês, atravessam a barreira hematoencefálica, chegando no sistema nervoso central”.

Dentre os efeitos deste acúmulo, acredita-se estarem o câncer, problemas de desenvolvimento fetal, doenças neurológicas, alterações comportamentais e, ainda, a perda cognitiva em escala populacional. Isto porque se fala na acumulação ao longo de anos de inúmeros elementos químicos que produzem efeitos sobre o organismo humano.

Os estudos realizados pelo Idec foram encaminhados às fabricantes, bem como à própria Anvisa, para que sejam discutidas testagens em alimentos e regulação do setor de industrializados.