A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, subiu de 9,33% para 9,77% neste ano. É a 32ª elevação consecutiva da projeção. A estimativa está no Boletim Focus de hoje (16), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa das instituições para os principais indicadores econômicos.
Para 2022, a estimativa de
inflação ficou em 4,79%. Para 2023 e 2024, as previsões são de 3,32% e 3,09%,
respectivamente.
Em outubro, puxada pelo
aumento de preços de combustíveis e alimentos, a inflação acelerou 1,25%, a maior para o mês desde 2002, de
acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso,
o indicador acumula altas de 8,24% no ano e de 10,67% nos últimos 12 meses.
A previsão para 2021 está
acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida
pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,75% para este ano, com intervalo
de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o
limite inferior é 2,25% e o superior de 5,25%. Para 2022 e 2023 as metas são
3,5% e 3,25%, respectivamente, com o mesmo intervalo de tolerância.
Taxa de juros
Para alcançar a meta de
inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de
juros, a Selic, definida em 7,75% ao ano pelo Comitê de Política
Monetária (Copom). Para a próxima reunião do órgão, no mês que vem, o Copom já
sinalizou que pretende elevar a Selic em mais 1,5 ponto percentual.
As projeções do BC para a inflação também estão
ligeiramente acima da meta para 2022 e ao redor da meta para 2023. Isso reforça
a decisão da autarquia de manter a política mais contracionista, com elevação
dos juros, para manter o IPCA dentro do intervalo de tolerância definido pelo
CMN.
Para o mercado financeiro, a
expectativa é de que a Selic encerre 2021 em 9,25% ao ano, mesma projeção da
semana passada. Para o fim de 2022, a estimativa é de que a taxa básica suba
para 11% ao ano. E para 2023 e 2024, a previsão é de Selic em 7,75% ao ano e 7%
ao ano, respectivamente.
Quando o Copom aumenta a
taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa
reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam
a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a recuperação
da economia. Além disso, os bancos consideram outros fatores na hora de definir
os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e
despesas administrativas.
Quando o Copom reduz a
Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à
produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a
atividade econômica.
PIB e câmbio
As instituições financeiras
consultadas pelo BC reduziram a projeção para o crescimento da economia
brasileira este ano de 4,93% para 4,88%. Para 2022, a expectativa para Produto
Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - é
de crescimento de 0,93%. Em 2023 e 2024, o mercado financeiro projeta expansão
do PIB em 2%, para ambos os anos.
A expectativa para a cotação
do dólar se manteve em R$ 5,50 para o final deste ano. Para o fim de 2022, a
previsão é de que a moeda americana também fique nesse mesmo patamar