Demissões de agente e chefe da polícia não acalmaram protestos
A agente
policial que matou, com um disparo, o jovem Daunte Wright, de 20 anos,
durante uma operação de trânsito, e o chefe da polícia pediram
demissão nessa terça-feira (13). No entanto, as demissões não
silenciaram os protestos, que foram realizados pela terceira noite consecutiva.
Alguns manifestantes lançaram garrafas e outros projéteis contra a sede da
polícia, que respondeu com disparos de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Mais de 60 pessoas foram detidas durante a manifestação.
Os ânimos já
estavam exaltados na cidade norte-americana de Minneapolis, no estado de
Minnesota, antes da morte de Daunt Wright no último domingo (11), num subúrbio.
É lá que está ocorrendo o julgamento do policial acusado de matar o
afro-americano George Floyd em maio do ano passado, caso que levou a uma enorme
onda de protestos do movimento Black Lives Matter durante vários meses.
Também por isso, o
subúrbio Brooklyn Center foi colocado sob toque de recolher após a
morte de Daunte Wright. Mesmo após os pedidos de demissão
apresentados por Kim Potter, a agente que disparou no jovem, e o chefe da
polícia, Tim Gannon, as manifestações continuam.
O anúncio das
demissões foi feito pelo prefeito de Brooklyn Center, Mike Elliott, que disse
esperar que as saídas “tragam alguma calma à comunidade”. Pelo menos no
imediato, a notícia das demissões, o recolher obrigatório e o frio e chuva que
se fizeram sentir não levaram a acalmar dos ânimos nos protestos de ontem.
“Ela devia ter sido
despedida. O seu pedido de demissão não devia ter acontecido antes disso”,
disse Amber Young, uma das manifestantes que integrou os protestos. Sobre o
chefe da polícia que também apresentou a demissão, a ativista mostrou-se
satisfeita: “Estou feliz que ele tenha ido embora. Não mostrava preocupação com
a comunidade”, afirmou.
De acordo com o
jornal local Star Tribune, cerca de 800 a mil pessoas
estiveram próximo ao departamento de polícia de Brooklyn Center na noite
dessa terça-feira. O protesto começou de forma pacífica, mas a situação
complicou-se horas depois. De acordo com a polícia local foram feitas mais
de 60 detenções por “motins e outros comportamentos criminosos”.
Os manifestantes
consideram que as demissões anunciadas são um passo importante, mas exigem uma
revisão completa de todo o departamento da polícia. Eles prometem não desistir
até que isso ocorra. Isto porque, argumentam, o carro de Daunte Wright só foi
parado pela polícia por questões raciais.
É o que defende
também a família do jovem de 20 anos que morreu no último domingo. A polícia
diz que o carro foi mandado parar apenas porque a licença da matrícula
tinha expirado.
Daunte Wright foi
abordado durante a operação de trânsito e acabou morrendo quando a agente
Tim Gannon supostamente confundiu a pistola com um taser, arma
que provoca forte descarga elétrica paralisante, mas não é letal.