Pode parecer lugar-comum, um tema tão decantado, analisado, mas sempre presente: as maravilhas da Natureza.

À medida que a Primavera se aproxima, encantamo-nos com a alegria das flores que, teimosas, em meio à secura do Inverno, brindam-nos com a variedade de cores, aromas e perfeição.

Sim, a Natureza é perfeita, em toda a sua amplitude. Então, hoje não quero falar das ações humanas que a degradam, dos terremotos, dos incêndios florestais, dos ciclones e tantas outras tragédias que devastam, matam e causam sofrimento.

Hoje, egoísta, quero focar apenas nos aspectos positivos, talvez como uma forma de recarregar as energias e seguir a vida, acreditando que, a despeito das carências, da dor, dos desencantos, muito há a agradecer, em que acreditar... que viver vale a pena.

Humana que sou, encantam-me  também os animais. A fidelidade e amor incondicional de meus cães, o brilho que vejo em seus olhos quando me veem, a mansidão com que agradecem o alimento, um carinho um afago.

Sempre que observo o rebanho de carneiros em nossa propriedade, fico fascinada ao contemplar a placidez, a calma com que caminham, a disciplina, a hierarquia... se o primeiro para, os demais, em fila, também o fazem e permanecem alerta, a aguardar que se retome a caminhada. As mãezinhas, com seus rebentos sempre próximos e, quando não, a presteza com que estes atendem ao chamado delas, a um simples balido; o lamento contínuo quando, já crescidos, mães e filhos são separados. Isto tudo, sem contar a serenidade de suas fisionomias... simplesmente vivem e aceitam as imposições da Natureza, as mudanças... enfim... o decorrer da vida.

Em vista disso, volto ao ponto de partida, pois não consigo fugir a uma comparação evidente, o comportamento dos seres humanos, ditos racionais, inteligentes, capazes de criar, inventar, evoluir materialmente, mas não conseguem viver em harmonia, compartilhar momentos, buscar a paz.

Certo, é piegas e despropositada tal analogia; afinal, o desenvolvimento da sociedade e das nações, nas mais diversas áreas, é patente; o crescimento material é inegável; não há como não valorizarmos os avanços que favorecem a humanidade, na ciência, na medicina, na tecnologia, que permite interação imediata entre as mais longínquas regiões do mundo, o aumento da expectativa de vida, as viagens interplanetárias... para citar apenas alguns, mas... e o lado humanitário, onde fica? Onde, o sentimento, o sonho, o afeto, o congraçamento, o amor tão explorado, e pouco vivido? Perguntas ingênuas? Ultrapassadas? Não cabem em nosso tempo e/ou no contexto atual?

Apenas como devaneio, cito Bilac, “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo/ Perdeste o senso! Eu vos direi, no entanto./ Que, para ouvi-las muita vez desperto/ E abro as janelas, pálido de espanto...”

Por isso, prefiro cultivar a esperança de que o homem inteligente ainda vai conseguir perceber que é possível conciliar matéria e sentimento, poder e compartilhamento, ciência e Deus... Este, o verdadeiro sentido da vida...

E sigo observando a Mãe-Natureza.