Contrariamente ao que se deu com o ex-Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que não foi punido pelo Exército após participação em ato político ao lado do Presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro, o que é vedado pelo regimento das Forças Armadas, o Terceiro-Sargento da Escola Naval da Marinha, Michel Santos, sofreu três sindicâncias após se manifestar contrariamente a Bolsonaro.

Michel, de 30 anos, foi candidato à vereador nas últimas eleições pelo partido PSB e sua defesa atribui os atos de sindicância aos fatos de ele se posicionar como esquerdista e por ser homossexual. A primeira delas ocorreu em agosto do ano passado e as provas apresentadas eram prints de telas de celular com conteúdos publicados em sua conta particular nas redes sociais, questionando o por quê de Michelle Bolsonaro ter recebido R$89 mil de Fabrício Queiroz”. A defesa apresentou conteúdo favoráveis ao Presidente publicados pelo próprio Oficial que o denunciou.

Uma segunda sindicância foi instaurada então, sob argumento de que Santos ter faltado com a verdade na primeira ocasião, transgredindo o regulamento disciplinar, determinando-se que cumpriria dois dias prisão, sem que o Sargento fosse ouvido. A juíza Caroline Figueiredo, da 7ª Vara Federal Criminal concedeu uma liminar, endossando o posicionamento do Ministério Público, e determinou sua libertação.

De acordo com a advogada de defesa, Bianca Figueira, “é nítido e notório que ele está sendo perseguido porque é militar de esquerda e homossexual”. Atualmente, uma terceira sindicância, instaurada há duas semanas, está apurando se Santos recebeu remuneração para além da Marinha, visto que não pode exercer atividades formais outras. Figueira diz que seu cliente recebeu uma remuneração pontual apenas para roteirizar uma transmissão ao vivo nas redes sociais, em evento isolado que não pode ser considerado como atividade. Esta última denúncia foi anônima.