Devemos estar cientes de nossos gritos ou tentar entender por que algumas pessoas gritam sempre; aliás, todos nós gritamos em algum momento das nossas vidas. Confesso e acredito que gritar não é saudável em nossos relacionamentos, e essa prática dificilmente produz resultados positivos. Algumas pessoas levantam suas vozes e gritam de raiva porque sentem que a outra pessoa não as escuta. Repetem a fala várias vezes até que, finalmente, recorrem aos gritos porque a outra pessoa não responde ao seu tom de voz original. A maioria dos pais que gritam com os filhos, reclamam disso: sentem que não estão os ouvindo, então em vez de continuarem repetindo, eles simplesmente gritam! O problema é que isso realmente afeta crianças, adolescentes e até adultos: algumas pesquisas mostram que gritos podem ser tão prejudiciais quanto o abuso físico.

Devemos nos atentar que, quando uma pessoa está gritando, não é você o detentor do problema, é ela! E como essas pessoas estão acostumadas a resolverem os problemas no grito, acabam tendo poucas habilidades de enfrentar corretamente seus dilemas – provavelmente, seu motivo para gritar não tem nada a ver com você pessoalmente, e sim consigo mesmas! Quanto mais reagirmos aos gritos (muitas vezes gritando também), mas reagirão à nossa reação e as coisas só vão piorar. Devemos manter a calma, pois é  muito mais provável que os problemas sejam resolvidos quando tons de voz amenos estão sendo utilizados. Nosso falar deve fazer parte da solução e não do problema, mantendo a calma e usando tom de voz normal.

É importante respondermos com calma que o grito não é aceitável, para que a probabilidade de a pessoa gritar novamente conosco seja cada vez menor ou até desapareça. Só assim poderemos impor que, para continuar o assunto, terá que manter a calma e falar em tom de voz aceitável. Dessa forma, não agimos apenas nos impondo, e sim mostrando que não toleramos sermos abusados emocionalmente (além de fazê-la enxergar que seu comportamento não é aceitável). Se todos nós agíssemos assim, seríamos mais condicionados a evitar os gritos como primeira opção. Porém, se gritar é um hábito que a pessoa não quer alterar apesar das suas reações maduras, talvez seja hora de puxar uma cadeira e conversar, numa situação normal, fazendo a pessoa saber como o grito te afeta. Caso a pessoa responda “é assim que eu sou”, diga que “ser assim não é aceitável”. Gritar causa danos, por isso não permita que os gritos continuem a prejudicar você ou seu relacionamento.

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?

- Gritamos porque perdemos a calma. - diz um aprendiz.

- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?

- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça. - responde o aprendiz.

E o mestre volta a perguntar:

– Então não é possível falar-lhe em voz baixa?

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.

Então ele esclareceu: – Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?

O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão apaixonadas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem.

É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo: “Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.”