Você já percebeu que muitas coisas que você não aceita acaba se repetindo de uma forma ou outra na sua vida?

Seria carma, castigo, sina?

Pela perspectiva Sistêmica, base das Constelações Familiares, esse efeito indesejável, nada mais é do que a Lei do Pertencimento em ação. Ela é uma das leis naturais da vida, como a Lei da Gravidade, por exemplo. 

Portanto, se é uma Lei Universal, você já sabe, não adianta fugir, pois ela é maior e age na sua vida, na minha, na de todo mundo, independente de classe social, grau intelectual ou política ou religião.  

Se você chegou até aqui imagino que já esteja se pensando: “tá bom, Aline, explica logo como fico em paz com essa lei porque parece que quanto mais eu rezo mais assombração aparece!”.

Vamos lá… realmente, quanto mais a gente quer eliminar alguém ou um problema da nossa vida, parece que o objeto do nosso desdém cresce, brota em todos os lados.

Pela Lei do Pertencimento, tudo que existe tem o direito de existir, mesmo que isso não te agrade. Acontece que a nossa tendência é excluir as pessoas e os comportamentos que não gostamos. 

Aplicando essa lei à família, por exemplo, veremos que todos têm igual direito a pertencer. “Todos” significa: seus pais biológicos, seus avós, os ex-parceiros importantes do pai ou da mãe, os seus irmãos, seus meio-irmãos, os abortos, os natimortos, as pessoas da sua família que foram esquecidas por causar alguma vergonha ou mal. Essa lei ainda diz que até mesmo as pessoas que não são da família de sangue, mas que fizeram algo que mudou o destino do seu clã têm direito a pertencer. Por exemplo, alguém que deixou uma herança ou benefício que melhorou a condição da sua família, ou os pais biológicos de uma criança adotada.

A Lei do Pertencimento tem uma capacidade aguçadíssima de diagnosticar as exclusões. Ela atua numa exclusão escrachada, como quando se é proibido falar o nome do avô adúltero na família, assim como numa exclusão “mais sutil” advinda de críticas ao comportamento de uma “tia solteirona” ou da postura mandona da sua mãe.

O retorno do que ou de quem está sendo excluído se dá de diferentes maneiras. No exemplo do avô adúltero, as traições podem afetar gerações e gerações da família até que esse avô seja “visto” e incluído. No caso da crítica à mãe mandona, pode você mesma se tornar mandona como ela ou ter uma filha com a mesma característica que você detesta na sua mãe. Como se vê a “questão” que queremos ver longe ou que não aceitamos acaba se  repetindo justamente para nos lembrar que há algo a ser incluído em nossa família.

O caminho da inclusão é a humildade de não nos sentirmos superiores a ninguém ou a nenhuma história, afinal, todos somos humanos, cometemos erros e estamos sob efeito de um inconsciente familiar que carrega muitos padrões de dor. 

Contudo, o campo de memória das nossas famílias também tem muitas superações, conquistas e aprendizados vividos e foi graças a cada um que veio antes de nós que estamos aqui. A vida foi passando por todos até chegar em você. Quando excluímos alguém é como se criássemos uma cisão na grande alma familiar da qual fazemos parte. O caminho da inteireza portanto será a inclusão, com amor… o amor que vê todos como pertencentes. 

Você também faz parte!