Quem não se lembra do mito de Narciso? Uma das histórias mais vivas da mitologia grega que simboliza não só a beleza, mas a vaidade em excesso e o encanto pela própria beleza. A história chegou a ganhar espaço até mesmo dentro do campo da psicanálise, que deu novos contornos à noção de “narcisismo”. O ponto é que as pessoas sempre se admiraram e se cuidaram o quanto podiam, tendo sido fortalecida ao longo dos séculos a cultura da vaidade e do apego à beleza.

Existe uma linha que pode chegar a ser tênue em certos casos, mas que separa a vaidade propriamente dita, compreendida como a valorização da própria aparência ou qualidades, e do excesso, quando o hábito de se gostar e se cuidar ultrapassam os limites sadios e se tornam uma obsessão ou compulsão.

De todo modo, sabe-se que os homens, por muito tempo, não adoravam a própria beleza e não se cuidavam tal como as mulheres eram ensinadas. Quando o faziam, ganhavam rótulos, como “efeminados”.

As tendências, hoje, são outras. Os homens têm se cuidado cada vez mais, seja indo às academias, praticando esportes, cultivando e adorando os próprios corpos, o que põe à prova o estigma construído socialmente de que a vaidade e a adoração da aparência são características exclusivamente femininas. Em verdade, as tendências de mercado mostram que os homens da nossa geração e das mais novas não têm economizado nos cortes de cabelo, aquisição de roupas, produtos cosméticos, como spray, laquê, perfumes, desodorantes, coloração para cabelo, intervenções cirúrgicas e assim por diante, tudo em prol à beleza e autoestima.

Assim, não podemos mais dizer que os cuidados próprios constituem comportamentos femininos. A vaidade é alimentada por todos, em razão de uma cultura que preza por aparências. Seja como for, não podemos negar que um dia de salão ou um banho de loja faz bem para qualquer um. Aposte em si e na sua beleza, mas não deixe de se cuidar por dentro também.