Diga “Não”, se assim o desejar!
Proponho uma atividade muito simples. Dizer “Não”, quando assim o desejar.
Simples, não é mesmo?
Nem sempre.
Muitos quadros de desajustes emocionais podem ocorrer por não conseguirmos dizer “Não”. Diariamente, milhares de pessoas enfrentam este dilema. Uma questão que deveria ser relativamente simples, pode se tornar fonte de ansiedade, culpa, sofrimento emocional e abalar nossa autoconfiança.
Dizer não frente a algo que você não quer fazer, expor seu ponto de vista, sustentar a sua opinião, pode ser a linha divisória entre estabelecer o limite para sermos (e nos sentirmos) respeitados e autoconfiantes, ou nos mantermos sob a influência (ou por que não dizer controle) da vontade alheia.
Mas por que às vezes é tão difícil?
Eu arrisco a dizer que duas grandes batalhas refletem esta questão: o fortalecimento de nossa autoconfiança e a segurança em nossas decisões. Sim, pois dizer “não” significa não dizer “sim” a algo ou alguém, e isto constitui uma escolha, uma decisão que temos que tomar. E como toda escolha, ela tem consequências e nem sempre nos dispomos a enfrentá-las.
Crescemos aprendendo como conviver socialmente, e de certa forma, aprendendo que magoar o outro pode não ser uma boa decisão, que a cordialidade deve nortear nossos relacionamentos. Mas magoar a nós mesmos é uma boa decisão? Dizer o “Não” que realmente queremos é capaz de ter consequências assim tão negativas? Dizer “não” precisa ser interpretado como não cordial?
Se fizermos uma análise de nossas últimas 24 horas, não será difícil identificarmos quantas vezes dissemos “sim”, com muita vontade de dizer “não”, assim como não será difícil percebermos o que ocorreu em nossas mentes logo após. A culpa por não termos conseguido nos posicionar, a contrariedade em fazer algo que não queríamos, o sentimento de menos valia, a frustração de não sermos seguros o suficiente para defender e aprovar nossas próprias decisões. Fortalecemos nossa autoconfiança quando nos sentimos donos de nós mesmos.
Mas, esta reflexão também não pode constituir em álibi para a revolta. Dizer o “Não” que aprovamos em detrimento do sim que não queremos, não precisa constituir-se em agressividade, oposição sem motivo.
Escolher como responder a algo ou alguém com confiança em nossas escolhas diz mais respeito a nós mesmos do que do outro. Podemos escolher nossas respostas de acordo com nossos valores e de acordo com àquilo que consideramos melhor para nós. Neste sentido, buscar optar por fazer aquele bem a nós mesmos, dizendo o não que aprovarmos pode ser um limite bem interessante a ser definido para aprimorarmos nossa autoconfiança e por que não, fazermos as pazes com nossos ideais de tranquilidade, sanidade e paz interior. Pensem nisso.